Tendências de Consumo 2022

O ano de 2020 mudou a vida como conhecíamos. E não podemos dizer que fomos pegos de surpresa, pois cientistas, agências sanitárias e documentários já traziam, ocasionalmente, a informação de que uma pandemia estava potencialmente se aproximando. Talvez, pelas gerações vivas não terem tido contato com algo dessa grandeza, em vida (apenas em livros de História), tenhamos dado pouca atenção. Infelizmente, diferente dos rumores e fake News, um vírus não precisa de atenção para se alastrar, e foi o que aconteceu em 2020.


Empresas fechando, altas taxas de desemprego, milhões de vidas perdidas ao redor do mundo (5.27M quando essa matéria foi redigida), fora outras consequências, mas não estamos aqui para reforçar todas as perdas que estamos acostumados a acompanhar em noticiários. A Shopper Supply respeita cada vida perdida nessa pandemia (assim como seus respectivos familiares), fizemos tudo ao nosso alcance para proteger nossa equipe, familiares, clientes e parceiros. Sem desconsiderar todo o contexto catastrófico ocasionado pela pandemia, hoje queremos reforçar o sentimento de resiliência (a capacidade de lidar com coisas boas e ruins sem perder a razão), focando no que se refere ao Mercado.

Mudamos muito, em muito pouco tempo! E o que vai definir o caminho de casa empresa será sua capacidade de acompanhar essas mudanças ou estagnar e desaparecer.

A pandemia de Covid-19 impulsionou grandes mudanças no modelo de negócio de inúmeras indústrias e empresas, assim como no comportamento do consumidor. Mudanças que, segundo agências especialistas em projeções de desenvolvimento humano, previam para ocorrerem na próxima década, mas como diz aquele ditado: a necessidade é a mãe da invenção. A sobrevivência em meio ao caos exige criatividade, resiliência e flexibilidade.



Já falamos aqui no blog sobre o Metaverso, e a forte tendência que representa hoje, principalmente se levarmos em consideração que outros eventos em um futuro próximo possam desencadear novamente a necessidade de um afastamento, e até mesmo isolamento, social. Mas acima de qualquer afinidade que tenhamos com a tecnologia, e do quanto de conveniências que conseguimos aderir ao nosso dia a dia por causa dela, a verdade é que ansiamos pelo contato humano / interação social presencial.

O relatório “Internet of Things”, divulgado pela Ericsson em 2019, em 2022 devemos atingir o status de “sociedade conectada” (símbolo da nova década), com quase 30 bilhões de dispositivos conectados em nível global (3 vezes a população mundial) e cerca de 75% da população mundial já terá acesso à internet. Carros autônomos e jogos de realidade virtual já estão se popularizando em países desenvolvidos, assim como a disponibilidade da 5G e a chegada do Wifi 6, que promete descongestionar o acesso em locais de alto tráfego.

O e-book da WGSN “O Consumidor do Futuro – 2022”, evidencia um novo termo que vem sendo usado para um comportamento que começou a acontecer espontaneamente: o contágio emocional digital. De forma resumida, é o espelhamento do estímulo emocional gerado à partir de um conteúdo digita, por exemplo, o contágio do sentimento de tristeza ao acessar/compartilhar a notícia de uma tragédia, ou as risadas que um meme pode arrancar de inúmeras pessoas, ao viralizar. Esse mesmo e-book chega a mencionar um estudo sobre contágio emocional, com base no compartilhamento de e-mails de matérias do The New York Times, e percebeu-se que as notícias mais compartilhadas eram as que denotavam maior carga emocional, pressionando gatilhos de medo, raiva e espanto, por exemplo.


Levando em consideração que entender esse tipo de comportamento do consumidor pode nos ajudar a criar ações mais assertivas, quatro sentimentos-chave foram mapeados como os potenciais gatilhos do contágio digital. Veja quais são a seguir:


MEDO

Como aponta a pesquisa global realizada pela WGSN, o medo já pode ser lido como filtro demográfico. Existem temas que se associam à alguns medos específicos mais comuns entre determinadas comunidades, de acordo com a região, classe social e nível de escolaridade, como por exemplo: ecoansiedade (preocupação crônica com o impacto de nossas ações hoje na equilíbrio ecológico do planeta em um futuro breve e distante), crises políticas e a incerteza econômica (volatilidade do mercado diante de inovações, imprevistos e evidencia em pautas sociais).


DESSINCRONIZAÇÃO SOCIAL

Nossa rotina está cada vez menos regrada, principalmente a partir da implementação do isolamento social no ano de 2020. E apesar de continuarmos fazendo as mesmas coisas, não temos a sincronia social que tínhamos anteriormente. Ir ao mercado de madrugada, assistir a um show/jogo gravado ou ir à academia são atividades que estamos alternando (quando comparadas com antes da pandemia) a ponto de estar tornando nossas interações sociais inconsistentes. (E aqui compartilho uma perspectiva minha: ao mesmo tempo que há essa dessincronização social no mundo real, o mundo digital vem aderindo mais sincronicidade. O que antes não tinha roteiro e era guiado pelo lazer espontâneo, agora vem ganhando uma estrutura pré-agendada que transmite um sentimento de sincronização digital).



RESILIÊNCIA EQUITATIVA

Ao perguntar aleatoriamente por aí “o que é resiliência”, não é incomum ouvir como resposta ao similar a “a capacidade de manter o pensamento positivo mesmo em meio as adversidades”. E ainda que seja um mantra aparentemente saudável, esconde um problema que poucos se dão conta: o negacionismo. Quando nos blindamos de absorver a complexidade de algo ruim em nossa trajetória, não estamos desenvolvendo nossa habilidade emocional, mas sim criando uma dinâmica interna de ignorar problemas, o que não é o objetivo da resiliência.

A história foi palco de diversos erros seguidos de muito erros até chegarem nos acertos, pois é muito difícil acertar sem um parâmetro do que pode dar de errado. É necessário bater de frente com os desafios para extrair capital emocional, a fim de desenvolver a aclamada resiliência. Qualquer rota alternativa é um beco sem saída de individualismo. A tendência é de que as gerações mais novas tenham consciência da importância da aceitação emocional (e tá tudo bem, rs).



OTIMISMO RADICAL

Entre 2020 e 2021 pudemos testemunhar diversas razões para chorar, através dos canais de informação, e até mesmo do nosso dia a dia. Com a polarização social, as redes sociais se tornaram palco de discussões sem fim, repletas de desaforos e poucos argumentos, e sem a possibilidade de interação social (cara a cara). Em resumo: o clima é de trevas. Ambos lados da polarização lutam por quem tem os piores indicadores e maiores motivos para reagir, não existem notícias boas. É desse looping de negatividade que surge o movimento contramaré de otimismo radical. Não é se enganar ou se fazer de bobo, é sobre ter a coragem de acreditar que amanhã vai ser melhor, porque hoje você conseguiu fazer a sua parte. Em parte o otimismo radical depende de volume de adeptos para gerar mudanças sociais, mas por mais difícil que pareça de entender, esse sentimento é contagiante, se você estiver disposto a fazer sua parte.


À partir desses quatro sentimentos-chave, é possível identificar perfis de consumo que devem se fortalecer à partir de 2022. Acompanhe os próximos posts do nosso blog, falaremos mais sobre o assunto.


Boas Vendas!

Por: Gabriel Alverne

Revisão e Edição: Natália Angeli